<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166</id><updated>2012-02-16T08:40:40.193-02:00</updated><category term='sexo'/><category term='porquê?'/><category term='explicação'/><category term='escatologia'/><category term='nome do site'/><category term='depravação'/><category term='despedida'/><category term='28 de agosto'/><category term='comemoração'/><category term='personagens'/><category term='quadrilha'/><category term='Berlim'/><category term='início'/><category term='inútil'/><category term='velho'/><category term='expressão'/><title type='text'>Café, Pastel e Torresmo</title><subtitle type='html'>Blog destinado ao livre pensamento, à crítica descomprometida, ao devir, ao devaneio, aos ímpetos e vontades, ao viver, ao porvir, ao que quiser, ao que ousar, à dúvida, ao turbilhão, à efervecência, à essência, ao supérfluo, ao inútil, ao acaso, ao descaso, à demência, à indecência, ao tudo e ao nada.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-3823529808976756139</id><published>2009-10-28T17:56:00.000-02:00</published><updated>2009-10-28T17:57:28.271-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadrilha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>Quadrilha</title><content type='html'>Delegado: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Jovem delegado frustrado pela perda de cargo na capital, rebaixado a delegado geral de guaraçoiava do brejo (cidade em questão). Por conta de um ataque de um pincher marrom de 4 quilos e meio que lhe esmigalhou o tendão de aquiles hoje puxa da perna esquerda. Tem um tique no olho direito que tremula constantemente, fruto de uma sífilis que o acometeu na juventude, quando perdeu a virgindade com cassandra, a caolha, a prostituta mais velha de Teotônio Ferreira, sua cidade natal. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Noiva: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Bentinha contava 12 primaveras quando foi desonrada pelo cabra Totonho. Embuchou e agora o cabra há de lhe servir de esposo bem como tomar obrigações com Nhonhô Lazário, o pai da noiva, a quem deverá servir, como manda a tradição desde Labão, por sete anos corridos sem direito a férias ou vencimentos. Menina franzina, de fraca saúde, bentinha irá abandonar as brincadeiras de criança e se ater aos cuidados do lar bem como das vacas Muzamba e Jacena, presente dos padrinhos e que deverão dar leite para os queijos e para a venda além do sustento da criança. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Noivo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Totonho, o cabra, 47 anos muito mal vividos lhe renderam algumas inimizades e uns quilinhos a mais. Se casará agora, uma vez desonrada a filha de Nho Lazário, mas nunca se esquecerá do seu grande amor: Teté, a cabra mimosa que sempre lhe fez companhia ao longo de sua fastidiosa, opulenta e longa adolescência...Teté se foi, partiu dessa para uma melhor, acompanhada de farofa e batatas, milho verde e quentão, quando da comemoração do batizado de Lupicínio, seu irmão caçula. Desde então totonho anda desolado, cabisbaixo, com os olhos miúdos...nem cachaça tem tomado nos últimos tempos....quem sabe esse casamento não é a sua salvação derradeira. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pais do Noivo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nhonhô Lazário, 77 anos, calado, apenas observa o vento que se agita sobre as quaresmeiras do quintal da casa grande. As botas, marcadas pela lama, estrume e penas denunciam que a manhã, contando ser apenas 11 horas, já foi longa e tenaz e que, uma vez desperto, calçado e vestido esteve, desde antes de cantar seu companheiro galo, a percorrer os longos espaços entre a casa grande, a estrebaria, o cocho dos cavalos, o milharal, a granja. Entre fustigar animais, colher ovos, carpir o mato e cortar lenha, nhonhô tem vivido sua vida e aproveitado os poucos momentos que tem de descanso para um dedo de prosa com os visinhos, uma cachaçinha na venda da esquina ou um baralho com o velho vigário Teobaldo. Casamento? É...desonrada sua pobre filha, sua única filha, quase toda a vida se acreditava estéril, mas poucos anos atrás, 13 pra ser exato, sua mulher engravidou e nasceu bentinha, linda, branca, de olhos azuis...Nhonhô lazário e Teotônia (sua senhora), são mulatos...é dessas surpresas de Deus que Nhô Lazário guarda a pouca alegria que tem...Agora vai casar com o danado do cabra Totonho...e aí dele se não casar....&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Teotônia nunca quis casar...nunca teve muito interesse pelos homens da região de Guaraçoiava do Brejo...sonhava com um Dotô, um principe de cavalo branco, um "arguém com um argo mais" dizia pras suas colegas do magistério (Teotônia queria ser professora...). Mas o "arguém" nunca veio, daí, um dia, já ficando pra titia contados seus 17 anos, apareceu Nhonhô, que na época não era Nhonhô ainda, era apenas Lazário bunda branca, o garoto fraco da rua de baixo que todo dia aparecia na porta da sua casa pra entregar o leite e o queijo que a família encomendava. Lazário tinha cara de bobo e jeito de bobo, mas era trabalhador, todo dia, faça chuva ou faça sol, lá estava ele com a carriola quebrada de um lado, sem um apoio, pra entregar as encomendas. Teotônia se divertia olhando-o pela janela num esforço tremendo para descarregar o leite e o queijo tendo que segurar a carriola pra ela não virar. Ás vezes, quando estava chovendo muito, Teotônia fazia uma cera pra sair de casa só pra ver ele se esbodegando na chuva torrencial...mas de gotinha em gotinha, de leite e de chuva, Teotônia foi se apaixonando por ele. Hoje, 50 anos depois, Teotônia é feliz...mas nunca contou a ninguém que Bentinha é fruto de uma paixão proibida com o Vigário Teobaldo. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pais da Noiva:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Viúva Paulina, mãe de Totonho, Jericota, Malazarte, Neneco, Fubeca, Rolinho, Guapira, Xitó, Zelita, Surama e Bedeléu, herdou a grande fortuna do Doutor Astolfo e se tornou o partido mais cobiçado da cidade. Senhora de si, viúva Paulina só demonstrou fraqueza na criação dos filhos, especialmente Totonho, o primogênito, mimado à demasia e tratado com toda a sorte de zelo que a boa fortuna lhe permitiu receber. Fogosa, mal pode esperar o luto do marido para seguir adiante na arte de fazer filhos. Casou-se dois anos depois do falecimento de Astolfo com o jovem felizberto, guapo mocetão no auge dos seus 38 anos. Após casar-se com Felizberto vieram: Ranulfo, Adalberto, Creomilda, Diquinha, Eriberto, Huguinho, Ana Karenina (é, os romances da folha já faziam sucesso nas bancas), e Lupicínio. O casamento de Totonho está sendo difícil pra Paulina, será a primeira vez desde que foi diagnosticado e internado por lumbriga aos 7 anos que passará mais de uma semana dormindo fora da casa da mamãe. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Felizberto, autêntico, decidido e completo na boa arte do "fazer nada", viu na herança da Viúva Paulina o seu pote de ouro e a chance de estender seu reinado de ócio ao menos até...hummm, vejamos...o RESTO da vida. Só não contava com duas coisas: o fogo da viúva que tem lhe dado bastante trabalho e a desavença com Totonho, a quem nunca foi chegado. Conta com o casamento como a oportunidade única de se livrar de pelo menos um dos males da sua vida. O outro bem...pelo menos ainda faltam umas 5 horas pra terminar a novela das oito e a viúva ir "se deitar"...é bom aproveitar esse tempo....dai-lhe forças...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vigário Teobaldo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fanático pelos jogos de azar, mas com uma queda mais acentuada para a briga-de-galo (aquela de piscina, não a dos pobres animais), bolinha de gude, bafo e roba-monte. Nosso carismático sacerdote exerceu as vezes de radialista na sua mocidade e ainda continua a arrancar suspiros das senhoras ao narrar os emblemáticos "dois patinhos na lagoa" com sua voz aveludada e seu tom grave e sedutor nos bingos beneficentes das quermesses da paróquia. Chegado na branquinha, vez por outra põe os pés pelas mãos quando tropeça pelas esquinas se esgueirando apoiado nos muros e alpendres das casas vizinhas ao salão paroquial. Zeloso de seu rebanho Teobaldo cuida dos avós como seus avós, dos pais como seus pais, dos filhos como seus filhos e das esposas bem....Bentinha taí que não nos deixa mentir....&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Padrinhos do Noivo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nha Dita: Quituteira de mão cheia e parteira a mais de cinquenta anos (diz ela que desde seus 62 anos quando se aposentou por invalidez nas minas de carvão de Ribeirão das Pedras Pretas) já perdeu a conta de quantos rebentos trouxe ao mundo. Benzedeira, Nhá Dita tem remédio e reza pra tudo que é malefício e moléstia do corpo e da mente: Ventre caído, espinhaço, mau olhado, dor de ouvido, barriga d'agua, dor no baço, dor de estrongo, instistino, moleira, prisão de ventre, diarréia, gonorréia, cancro mole, bicho de pé, azia, gases, etc. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cumpade Venceslau: conhecido caçador de toda a região desde o rio vermelho até maloca santa. Já foi campeão regional de comilança de melância, dizem que já caçou tudo que é bicho de ar, água e terra, de pelo e de couro, de asa e de bico, de rabo e de carapaça, de dedo e de casco. Conta-se que certa noite, voltando de uma caçada frustrada, com frio, com fome, se deparou com uma onça preparando o bote em uma anta. Confere a munição e desesperado vê que gastou todas as balas, na arma encontra uma única alojada na agulha. Angustia-se pois se atira na onça, se vai a caça e na volta até em casa desmaia na certa faminto depois de uma andança de mais de oito horas. Se atira na caça a onça há de lhe dar cabo. Rápido e astuto saca o fação e o enterra até a metade no chão a sua frente, recua dois passos, firma na pontaria, apóia o dedo suave no gatilho, cega o olho esquerdo e KATABLUM....o estampido da arma faz revoar ao longe um bando de maritacas....em dois tempos caem pelo chão a onça e a anta, cada qual com sua metade de calibre. Quando saca o facão do chão a lamina fumegante ainda exige as marcas da boa pontaria de venceslau que, refestelado, volta pra casa carregando seu troféu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Padrinhos da Noiva:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Menelau&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na escuridão da noite brilhavam apenas os negros olhos de Menelau, refletindo a chama da vela, acesa ao soldado morto com três flechas, precos ao tronco de arvore, olhar em súplica ou adoração a um deus-homem de um reino fora desta terra. Nunca soube ao certo porque a mãe lhe fizera devoto do santo, talvez nem ela mesmo soubesse. A Menelau lhe gostava a roupa brilhante do soldado, requintada em adornos, lhe inspirava uma nobreza da qual nunca desfrutara. Filho de escravos o velho menelau crescera na pobreza e dos folguedos e brincadeiras de criança nunca pode fazer parte, sempre trabalhando junto ao pai, levando e trazendo ferramentas de ofício ou segurando a moringa de água para lhe refrescar no verão escaldante de Guaraçoiava. Isso fez de menelau um homem duro, olhar profundo, voz grave, mãos pesadas, pés largos, ombros fortes. Mas o velho também guardava pra si uma candura, uma doçura, dedicada a apenas duas coisas na sua vida: o cantar dos pássaros, que sabia reproduzir com assovios e conchas de mão. Melros, pintassilgos, coleiras, tuiuius, tucanos, tico-tico, sabia, bem-te-vi, canário. E, sua grande paixão, as mulatas jovens de pele tenra que se ofereciam aos marinheiros e mascates na ladeira do porto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Madalena&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No início, quando se casaram, Madalena sofria com a infidelidade do marido Menelau, pois o amava com volúpia e com paixão. Com o tempo passou a entender sua necessidade de folguedos e aventuras com outros rabos de saia, principalmente das mulatas da rua do porto. E, a saber, também passou a se reservar a seus prazeres secretos. Com homens a princípio e, em seguida, com mulheres, depois também animais e, por fim, com frutas, legumes e embutidos. A perversão de Madalena, que principiou por vingança se assentou sobre uma sólida base de outros vícios aos quais somente veio a se juntar o sexo. Cigarros, café e aguardentes baratos comprados em engradados na venda da esquina formavam o conjunto de prazeres irmãos a que Madalena se entregava nas tardes de domingo quando o marido saia para aprontar das suas. Seus únicos mimos inocentes eram as vacas Muzamba e Jacena, regaladas à afilhada Bentinha por ocasião do seu casamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-3823529808976756139?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/3823529808976756139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/quadrilha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/3823529808976756139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/3823529808976756139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/quadrilha.html' title='Quadrilha'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-2466636024678003976</id><published>2009-10-28T17:55:00.001-02:00</published><updated>2009-10-28T17:55:56.935-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Berlim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='28 de agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comemoração'/><title type='text'>28 de agosto</title><content type='html'>Vista do alto, do 28º andar, sob a chuva intensa daquele final de agosto, o antigo lado oriental de Berlim se parece com qualquer outra grande cidade. Indiferente à cortina de água que corre pelas vidraças o homem confere as horas no relógio de bolso, dez e quarenta, e suspira hesitante: Em pouco tempo tudo terá mudado e essa visão estará emoldurada, como tantas, entre vidros duplos e paspatur retratando uma época, uma geração, um momento histórico. As gotas escorrem pela superfície estática do vidro formando um emaranhado de linhas que se sobrepõe e se cruzam a cada pulso de vento golpeando a chuva contra o enigmático edifício. A cidade segue sua própria dinâmica, com seus sons, suas luzes, seus carros, transeuntes, guarda-chuvas, guardas de trânsito, gritos, sussurros, buzinas, lampejos, faróis...Vista do alto todas as cidades são indiferentes, desumanizadas, tudo se resume a fluxos e fixos, ir e vir, alto e baixo, as formiguinhas que enxergamos aqui e ali se movendo entre os carros e edifícios são meros coadjuvantes da paisagem que se impõe sobre o horizonte enevoado. A música lhe chega aos ouvidos e o homem se move percorrendo toda a janela que o separa do exterior e por onde a luz da cidade avança como uma língua faminta sobre a sombra negra do interior escuro. Dentro nenhuma lâmpada a fazer-lhe companhia, somente os lampejos que mergulham entre as gotas de água vão pontuando aqui e ali com uma dispersa e irriquieta claridade flamulejante. A copa de vinho permanece intocada à espera da hora certa. As expectativas, do homem e da copa, se perseguem irriquietas, como uma clássica fuga. Piano e viola num compasso e descompasso incessante, intermitente, íntimo, floral. A copa tremula a cada ribombar da tempestade trazendo para a superfície tinta um movimento aflitivo e delicado. Uma ondulação, duas, três....e novamente o silêncio e a plenitude da superfície em seu toque, seu beijo delicado nas faces transparentes e ínfimas do cristal curvado. O olhar e o movimento lhe denunciam a inquietude crescente com o porvir iminente. O clec-clac dos ponteiros parece ecoar cada vez mais ferozmente na atmosfera límpida da sala. 28 de agosto....sexta feira....é mais um ano que se inicia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-2466636024678003976?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/2466636024678003976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/28-de-agosto_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/2466636024678003976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/2466636024678003976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/28-de-agosto_28.html' title='28 de agosto'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-8022891611035270749</id><published>2009-10-28T17:52:00.000-02:00</published><updated>2009-10-28T17:54:02.279-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='despedida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='velho'/><title type='text'>Velho</title><content type='html'>Velho...a figura hirsuta me encara com indiferença....os olhares se trocam  indistintamente...o que é completamente diferente quando se olha um estranho, um  outro, um outro alguém...o olhar no espelho tem outro peso, outra cor, outra  natureza...é como um olhar morto, sem reação, uma fotografia, um nada...não  emite, não fulmina, não assusta, não comove, não vive...frio como a superfície  do vidro que o abriga...mas a figura está lá e me olha e me questiona e reage  com a mesma intensidade com a qual ajo e por mais natural que seja é sempre  estranho quando se coloca os pingos nos is e se coloca isso numa tábua de razão  pensando quando foi que o primeiro-homem macaco se viu refletido e entre terror  e extase constatou sua própria existência ali confrontada na lâmina de água.  Velho do caralho...porra, um merda de um velho. Tudo caído, pele, musculos  flácidos, cabelos brancos, ralos, poucos, manchas por todo lado, bolsa nos  olhos, pé-de-galinha, marca de espressão, dor em tudo, porra, que merda. Sei lá,  fiz tanta coisa, vivi tanto, isso foi bom, mas e aí, e agora. Caralho!! O pinto  pra subir demora bem uns minutos...pra gozar é uma eternidade e daí pra ter  força pra outra precisa de uns dias. Correr nem pensar, só caminhar. Mas tudo  bem, agora terminou, tá tudo decidido, daqui a pouco vai fazer efeito já. A  agulha entrou bem dolorida, acho que também porque eu fiquei olhando, nunca  gostei de agulha, sempre virei o rosto até pra tirar sangue do dedinho, mas  agora tive que olhar né, pra achar a veia e isso também é uma bosta porque veia  de velho é fina igual papel se forçar estoura dai cagou todo o plano...o plano é  morrer sem dor, antes de ficar louco, cagando, babando, sem lembrar de nada  igual meu avo...lembro de segurar o pinico pra ele e ficava numa mistura de nojo  e pena, segurando o pinico pro velhinho mijar...tadinho...e chichi de velho é  fedido e tem uma cor escura (também devia ser por causa dos 45 remédios que  tomava)...dai eu pensei: -comigo não...não vou morrer assim, nessa  indignidade...quero morrer lúcido, quero escolher o dia da minha morte igual  indio velho. Agora o cara do espelho taí olhando...desde o começo ele sabia o  que ia acontecer...teve medo também, eu tive medo...mas vivi bastante, fiz muita  coisa que eu queria fazer...aproveitei muito as coisas das quais gostava, minha  esposa, filhos, trabalho (pude fazer o que gostava, isso é sorte grande). Agora  já deu né...Velho, não olha assim velho, não tem mais jeito...agora já vai fazer  efeito daí cataplumba...pacota no chão e abraço...vamos descobrir se deus  existe...onde começou o big bang, o que tinha antes dele...ta escurecendo né  velho, tá dando um sono....deita aí velho, pra não cair e estragar o velório  quebrando o nariz...não né velho orgulhoso, quer morrer olhando pra frente,  consciente....é difícil encarar a morte de frente...dá medo...daqui a pouco não  existo mais...não tem mais nada...ou tem? Daqui a pouco não tem futebol, não tem  sol, não tem praia, não tem montanha, não tem mulher, não tem sexo, não tem  gozo, não tem bebida, não tem literatura, cinema, teatro, arquitetura, charuto,  perfume, comida, igreja, terra, grama, tijolo, vento, arco-iris, furacao, dor,  alegria, doença, cidade, daqui a pouco não tem mais&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;..&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-8022891611035270749?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/8022891611035270749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/velho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/8022891611035270749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/8022891611035270749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/velho.html' title='Velho'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-2033564845487598611</id><published>2009-10-28T17:37:00.002-02:00</published><updated>2009-10-28T17:40:38.007-02:00</updated><title type='text'>Explicação</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Tô falante hoje né? Pois é, então, decidi postar os últimos textos que eu escrevi, todos de uma vez, daí me livro deles e sigo em frente para os próximos, só pra constar, devem vir na sequência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho&lt;br /&gt;28 de agosto (que foi um convite de aniversário disfarçado)&lt;br /&gt;Quadrilha (Não é bem um texto, é mais um apanhado de personagens)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, depois, sigo escrevendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços a quem ler!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-2033564845487598611?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/2033564845487598611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/explicacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/2033564845487598611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/2033564845487598611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/explicacao.html' title='Explicação'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-6282925260078891322</id><published>2009-10-28T17:32:00.001-02:00</published><updated>2009-10-28T17:35:56.208-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='explicação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='porquê?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nome do site'/><title type='text'>Café, Pastel e Torresmo? Porque?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Provavelmente quem frequentar esse blog no futuro (porque, até agora de fato  é um blog fantasma, não tem nenhuma relevância e mesmo muito pouca coerência e  até mesmo o número de postagens ainda é pífio então, ok), mas no futuro quem  sabe. Vou escrever meio gonzo, sem editar, porque acho que as coisas funcionam  bem assim, viva hunter thompson! Enfim, café, pastel, torresmo estavam, nessa  ordem, grafados na parede de um boteco em frente ao qual eu passava todos os  dias da semana durante os três anos do colegial, lá no centro de Campinas. Dai  fiquei pensando no quanto essas três palavras eram sintomáticas não apenas das  variantes semânticas do "menu" do boteco como, mais do que isso, ditavam um  padrão de serviço, um segmento de mercado, um exemplo representativo do que os  botecos de esquina (esse era de esquina, mas se fosse no meio da quadra também  servia igual, mas curiosamente, ou melhor coerentemente, os botecos e padarias  costumam se dispor justamente nos entroncamentos para atenderem a mais vias e  consequentemente mais clientes). Voltando ao "mercado", o menu permanente  (pintado na parede), ao contrário daquelas plaquinhas pretas de furinhos com  letrinhas amarelas ou as lousas verdes diz muito sobre o estabelecimento em si,  sobre o serviço "boteco", que é o mesmo serviço de norte a sul do país, com  algumas variantes regionais mas que, de um modo geral funciona igual: café e  lanches a qualquer momento do dia, salgados idem (inclusive a coxinha que você  pede as nove da noite está lá desde 5 da manhã, quando não do dia anterior),  almoço tipo prato feito sempre com picadinho, calabresa, bife, fígado, frango e,  as quartas-feiras, feijoada. E cerveja e destilados baratos de um modo geral.  Então o que é que é a idéia do café, pastel e torresmo? É meio que isso, falar  de coisas que, de um modo ou de outro, se passam na cabeça de todo mundo, nada  específico, mas sempre comum, e ao mesmo tempo, sempre tem alguma coisa  diferente. Não sei se explicou, mas fica aí, pra quem vier no futuro querer  saber...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-6282925260078891322?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/6282925260078891322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/cafe-pastel-e-torresmo-porque.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/6282925260078891322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/6282925260078891322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/cafe-pastel-e-torresmo-porque.html' title='Café, Pastel e Torresmo? Porque?'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-3055084042426657356</id><published>2009-10-21T15:50:00.002-02:00</published><updated>2009-10-21T16:00:33.127-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depravação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escatologia'/><title type='text'>Xavier</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não se sabe ao certo quando é que Xavier mudou, ou principiou a mudar, afinal nada muda num instante, ainda menos em se tratando de questões de comportamento, mas o fato é que Xavier mudou, e muito!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que se sabe do motivo, do estopim, é que foi por um coração partido por ninguém menos que Leonor, sua companheira pra mais de 20 anos...e justo com quem? Com Chimbinha, o pastor alemão que ganhou do vizinho fã de Calipso que teve que deixá-lo a alguém na volta à terra natal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Numa tarde de sol, saindo do banco onde trabalha de caixa resolveu fazer uma surpresa a esposa chegando mais cedo e levando um inhoque (pois é, ele fala assim mesmo), pro jantar dos dois. Chegando direto em casa ao invés da parada habitual no dominó na casa do Matias, eis que se depara com a estarrecedora cena do cachorro ali grudado, bunda com bunda com a senhora sua esposa!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Puta-que-o-pariu! Foi a única coisa que conseguiu dizer enquanto o inhoque se desfazia com travessa e tudo contra o piso de taco do corredor da casa. E saiu pra rua, desnorteado, desconcertado, aflito, estupefato, abobalhado com o coito bestial que acabara de presenciar, se não o coito em si o suficiente engate medonho continuava a latejar renitente na memória junto àquelas imagens que tentamos afastar como a imagem da mãe ou da virgem maria que, vez por outra, costumam insistir em aparecer quando se está alí, membro na mão, em busca de um orgasmozinho pra alegrar o dia (ou a noite).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Entre a confusão e o delírio perambulou tresloucado pela cidadela uns bons dias ou um belo bocado de minutos, não se sabe ao certo e isso, verdade seja dita, tem muito pouca importância para qualificar o quão atingido Xavier se sentiu com a bofetada cruel do destino, ou do azar ou do que quer que se queira atribuir o encadeamento dos acontecimentos ao longo de uma vida. E aí então, e chegamos ao começo da história, Xavier mudou. Em que? No seu lado digamos...libidinoso; Homem de poucas ambições e de personalidade afável sempre lhe coube aí menos do que uma nota de rodapé na vida das pessoas que logrou conviver ao longo dos anos. De desejos e vontades sempre foi comedido, ou tímido, ou covarde, ou preguicoso, ou humilde mesmo...como saber? Mas, enfim, até aí, em relação ao sexo, nunca quis demais, nunca exigiu demais, nunca se importou muito. Com Leonor encontrava o brilho das estrelas vez por outra quando essa se mostrava mais disposta ao ato nas noites quentes de verão ou, raras vezes, nas noites frias de inverno. Pra Xavier bastava, mas ele, por si, nunca procurava, julgava respeitar a mulher, esperá-la, sentir seu momento. Pobre Xavier...se julgava um Gentleman, palavra bonita que aprendera nos livros da escola, mas não percebera que os tempos não pediam mais um gentleman, um príncipe num cavalo branco e sim um puto cafajeste, um comboi grosseiro de barba mal-feita e cheirando a estrume, pasto e lombo de cavalo, de mãos grossas, olhar safado e pelos por todos os lados. Ah Xavier, e foi justo o Ximbinha que foi se encaixar nessa lacuna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Xavier mudou, homousse, tomou gosto pela vida, o sangue lhe correu quente nas veias, o olhar mudou, de sereno a sizudo, as mãos delicadas se puseram fortes, o hálito, a presença, o cheiro, tudo, tudo mudou nele. A raiva que faz o homem homem lhe tomou por completo e lhe fez de novo, outro Xavier. Chamou Leonor, desculpou-se e lhe esbofeteou a face violentamente. Enquanto o sangue jorrava e Leonor, caída sem nada entender, mantinha as mãos trêmulas sobre a face em chamas rasgou-lhe as roupas e lhe possuiu ferozmente, em duas ou três posições, na boca, na boceta e no cu, incessante, descompassado, bruto, animal. Cuspia-lhe na cara e lhe beijava o cuspe e o sangue enquanto lhe dirigia os mais vulgares impropérios. Leonor, entre a dor e o prazer delirava nos braços desse outro homem, desse outro Xavier. Até seu pau parecia maior, mais grosso, indo mais fundo, mais forte. Pobre Leonor, entre medo e delírio não percebia o furacão que estava pra lhe atingir e lhe levar embora pros quintos dos infernos com casa e tudo. Xavier foi além...muito além. Quando já estava se acostumando as surras violentas, de mão e de pau que passou a receber duas, três, quatro vezes por dia, eis que, uma bela tarde, Xavier lhe chega trazendo consigo um negro imenso (em todos os sentidos) para foder com ela. Xavier não ia participar, só observar. Não teve escolha, o negro percorreu seu corpo durante toda a tarde só parando para urinar-lhe no rosto e nos cabelos antes de ir embora. Destruída e arrombada Leonor recebeu Xavier durante as horas que se seguiram até o cair da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meses seguintes a promiscuidade e demência sexual de Xavier foi aumentando numa escalada sem limites: Trepavam o tempo todo, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, de qualquer idade. Xavier passou a adquirir todo o tipo de brinquedos eróticos, de lubrificantes comestíveis a acessórios em couro, de vibradores simples a duplos com motor, de cadeiras de massagem a espelhos no teto. A vida sexual dos dois deixou de ser segredo e se tornou assunto na cidade e até nas cidades vizinhas. De todo o lugar apareciam, homens, mulheres, crianças, velhos, famílias, travestis, padres, dispostos a uma noite de prazer com o casal ensandecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, no entanto, Leonor chegou ao seu limite. Xavier descobriu o prazer nos alimentos e passou a ataca-la com comestíveis de toda a ordem, primeiro os mais básicos: chantilly, leite condensado, sorvete, doce de leite, e, em seguida partiu para menos ortodoxos: caramelo, açaí, mostarda e chutney de manga, até chegar nos impossíveis: bobó de camarão, molho agridoce e rabada com polenta. Tudo aceito e tolerado com coragem pela esposa até que, numa dessas noites de fetiches gastronômicos, no escuro, esperando pelo marido que, do outro lado da porta haveria de trazer um novo ingrediente para apimentar (mais???) a vida sexual do casal, Leonor sentiu um aroma famíliar, um aroma que não sentia a muito tempo, e que, por instantes custou a acreditar que pudesse ser aquilo mesmo. Pensou que tinha chegado no limite, mas aquilo já passava de tudo o que era razoável e aceitável (vai entender né?) aquilo era uma vergonha, um ultraje, se negava a participar. Mas, não, espera, podia estar enganada, podia estar se confundindo, o marido não faria algo assim com ela, seria demais, melhor esperar, não pode ser possível, não deve ser verdade. E ali ficou, entre a dúvida e a certeza, entre a indignação e a confiança cega no respeito do marido até que, no ranger da porta, seu pior temor foi confirmado: Miojoooooooooooooooooooooo Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-3055084042426657356?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/3055084042426657356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/xavier.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/3055084042426657356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/3055084042426657356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/xavier.html' title='Xavier'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4840495105153079166.post-9188032428489488363</id><published>2009-10-06T17:52:00.006-03:00</published><updated>2009-10-06T18:07:13.509-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='início'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='expressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inútil'/><title type='text'>Alvorada</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Este blog começa absolutamente sem uma motivação concreta, certa, definitiva, começa pelo flaneur, pelo vagar, pela cidade, pelo pensamento, pelo desejo, pela necessidade. Pela vontade de irromper, pelo impeto do fazer que a rotina teima em sobrepujar e hoje, vai aqui, motivado por ele, meu grande amigo e fonte de inspiração, Flávio Garcia, figura ilustre que vez por outra deve ser citado ou até vir aqui a escrever algumas linhas. O mesmo Flávio que me indicou a poesia abaixo do excepcional do grande João Cabral de Melo Neto, que fica agora como porta de entrada deste blog para dizer o que só um poeta consegue dizer:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;O Artista Inconfessável&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; Fazer o que seja é inútil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; Não fazer nada é inútil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; Mas entre fazer e não fazer &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; mais vale o inútil do fazer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; Mas não, fazer para esquecer &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; que é inútil: nunca o esquecer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; Mas fazer o inútil sabendo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; que ele é inútil, e bem sabendo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; que é inútil e que seu sentido &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; não será sequer pressentido, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; fazer: porque ele é mais difícil &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; do que não fazer, e dificil- &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; mente se poderá dizer &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; com mais desdém, ou então dizer &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; mais direto ao leitor Ninguém &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt; que o feito o foi para ninguém.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4840495105153079166-9188032428489488363?l=cafepasteletorresmo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/feeds/9188032428489488363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/alvorada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/9188032428489488363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4840495105153079166/posts/default/9188032428489488363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cafepasteletorresmo.blogspot.com/2009/10/alvorada.html' title='Alvorada'/><author><name>Kolomi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07805261558852752475</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
